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Walner Barros Spencer
| wbarrosspencer@hotmail.com
| 06/08/2009


Brasil, ou escarradeira?


A pergunta cabe perfeitamente ao atual momento pelo qual passa este nosso país. Nosso Senado Federal, a verdadeira garantia democrática, pois representa a igualdade federativa – três senadores por Estado -, está parecendo mais uma escarradeira cheia de catarros e cuspes do que a Câmara Alta, revisora do Congresso Nacional, cuja função precípua seria a de garantir a efetiva realização da democracia da representação proporcional, impedindo que as unidades federativas com maior número de eleitores sejam legislativamente majoritárias.
Longe disso, entretanto, pois, no presente momento, o Senado somente serve para mancomunações vis, protegendo oligarcas debochados e cínicos, todos de Estados menores - os Catilinas da vida pública brasileira -, que põem em perigo as instituições democráticas. Este fato depõe contra o sistema, pois permite que uns poucos, “machões” alterados, transformem as sessões em ópera bufa, achando que ainda estão em um país onde se pode matar impunemente a um colega parlamentar.
Ademais, numa ocasião em que um dos Poderes da República, o Legislativo, rende-se às imposições estabelecidas peremptoriamente pelo Executivo – perversas em seus objetivos, malévolas em suas intenções, traidoras do espírito brasileiro; quando o comando de duas importantíssimas comissões de inquérito é ‘dado’ a suplente, e a suplente do suplente, de senadores, repute-se o caso como grave. Quer dizer: a democracia está sendo julgada por quem não recebeu nenhum voto direto do povo brasileiro. Para serem suplentes, ou foram convidados pelo titular, ou indicados por eleição indireta entre os seus pares. Interessante! Lembro dessa mesma gente esbravejando contra ‘senadores biônicos’, e o argumento, então, é que eles não eram representativos, pois não tinham sido votados. Nosso Senado está cheio deles, e todos inflados de orgulho e petulância, vozes impostadas e narizes para cima, talvez para esquecerem-se de que são engodos legais – pois, note-se: nem tudo que é legal é direito ou justo. Por sinal, esta é uma prática oligárquica que só existe em republiquetas de bananas. É por tal razão que o país entrará em breve em grave crise política e institucional. É só esperar para ver!
O suplente do suplente, ocupante da cadeira de presidente do Conselho de ética - assim mesmo, em minúscula -, nominou aos investigados – José Sarney, do Maranhão e Renen Calheiros , de Alagoas, ambos do PMDB, de UNGIDOS pelo voto popular. Estou em dúvida sobre o termo, pois ele tanto vale para o que passou pelo ato da SAGRAÇÃO, como Cristo e os santos, quanto para aquele que foi coberto com ungüento, que bem pode ser graxa ou sebo, ou qualquer outro elemento pastoso.
Ah! Democracia! A!, Povo brasileiro! Quantos crimes se cometem em teu nome!, diria Madame de Stael, se tivesse sobrevivido à morte que lhe deram na guilhotina durante o Terror da Revolução Francesa.
Onde um Cícero para dizer, novamente, e na undécima hora, protegido em templo sagrado, ao nosso desesperado Catilina, que confunde o povo brasileiro com o seu curral político?
“Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo zombará de nós essa tua conduta? A que extremos se há de precipitar a tua audácia sem freios? Nem a guarda do Palatino, nem a ronda noturna da cidade, nem os temores do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado, nem o olhar e o aspecto desses senadores, nada disso conseguiu perturbar-te? Não sentes que teus planos estão à vista de todos? Não vês que a tua conspiração todos aqui a conhecem?”
Onde, afinal, um Antônio? Ainda existirá?
Ao menos, poderia proporcionar um ato final, do qual Floro pudesse exclamar:
“Bela morte, assim tivesse tombado pela Pátria!”.


| Walner Barros Spencer, Arqueólogo - Bacharel em História - Mestre em Sociologia - Doutor em Antropologia.

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