O paraíso tem nome: Diogo Lopes
Imagine um lugar repleto de natureza exuberante por todos os lados; um pedaço do paraíso onde o visitante pode encontrar uma variedade ambiental impressionante como mar, mangue, restinga, rio, estuário, dunas, falésias, coqueirais, caatinga, tabuleiros e lagoas. Diogo Lopes, distante 25 km de Macau e 215 km da capital potiguar, é uma praia quase desconhecida pela grande maioria dos potiguares, abrigando uma natureza intocável.
A praia de Diogo Lopes é localizada entre as comunidades de Barreiras e Sertãozinho, que fazem parte de uma grande reserva ambiental e são formadas por gente simples e acolhedora. Para preservar esse paraíso, a comunidade unida criou a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Estadual Ponta do Tubarão, implantando projetos produtivos para a pesca e para o turismo ecológico.
A comunidade tem consciência que deve manter o meio-ambiente intacto, evitando que a região seja tomada por estrangeiros e pelo turismo predatório, sem planejamento, a exemplo de Pipa e Canoa Quebrada. Conforme Rosa Pinheiro, Sub-coordenadora de Gerenciamento Costeiro do Idema, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Ponta do Tubarão traz, juntamente com as perspectivas do estabelecimento da gestão integrada, frente à preservação ambiental, um belo exemplo do valor da organização comunitária.
Em Barreiras, comunidade distante 3 km de Diogo Lopes, uma faixa de areia alva e fina, com pouca vegetação de mangues, serve de porto seguro para pescadores cansados e é também usada como lugar de diversão para a comunidade. Na praia de Chico Martins, é possível visitar a Ilha do Tubarão que inicia a restinga que forma a reserva ambiental.
Ao longo da baía Ponta do Tubarão, pequenas ilhas formam um estuário com manguezais, repleto de vida marinha e aves migratórias. A restinga abriga alguns “ranchos” (casa de taipa feita por pescadores na beira da praia para tratar o peixe, guardar material e descansar entre uma pescaria e outra) e um longo braço de mar cercado de coqueirais. O estuário é protegido pelo Rio Tubarão, criando uma paisagem paradisíaca, formando um rico ambiente, povoados por uma grande diversidade de animais e servindo como ponto de desova de tartarugas.
Por trás da vila de pescadores, as dunas móveis formam grandes falésias que encontram a caatinga, separando o sertão e o mar numa cena única, mágica. Essencialmente uma comunidade pesqueira, Diogo Lopes, se estende por Sertãozinho e Ponta de Pedra. A pesca artesanal é feita em alto mar, na costa e nas enseadas e marés. Os botes, jangadas, barcos a motor, canoas e ioles se concentram nessa comunidade, respondendo por quase 80% do pescado da região de Macau e contribuindo para a economia local.
Diogo Lopes, Barreiras e Sertãozinho são comunidades festivas, realizando várias comemorações durante o ano: em janeiro, a festa de São Sebastião (padroeiro de Barreiras); as Festas das Flores, em maio; os festejos de Nossa Senhora dos Navegantes (padroeira de Setãozinho e Macau), em agosto; as comemorações de São Francisco de Assis (padroeiro de Diogo Lopes) e a regata de barcos, em setembro.
Fragmento da história de Diogo Lopes
Muito antes da chegada dos europeus na região de Macau, o rio já era conhecido pelos índios potiguares como “Unaputuban”, que mais tarde, nos séculos XVII e XVIII figurava em mapas náuticos como “Rio do Tubarão”.
De acordo com historiografia popular, o povoado de Diogo Lopes teve sua origem com so irmãos Fiogo e Gaspar Lopes que aportaram no Rio Tubarão, em data incerta. Diogo Lopes permaneceu na localidade, enquanto Gaspar partiu para o sertão.
Por volta de 1717, Gaspar Lopes era proprietário de uma fazenda que tornou-se vila e seu nome denominou o lugar até 1921, quando o povoado transformou-se na cidade de Pedro Avelino. Segundo os moradores mais antigos, o português Diogo Lopes permaneceu na sua fazenda de gado e pesca até meados do século XVIII.
Em 1797, o Rio Tubarão era conhecido como rio Diogo Lopes, registrado numa escritura de venda da região de Macau. Em 1922, o nome de Luiz Carlos de Souza Miranda era publicado na revista Centenário de Macau como proprietário do “Sítio Diogo Lopes”.
Até os anos 70, existia uma trilha carroçável ligando Diogo Lopes e Barreiras à Macau e Guamaré, mas era intransitável durante épocas de inverno ou nas grandes marés. Quando foi confirmada a produção de petróleo no campo terrestre, a Petrobrás nivelou e asfaltou as estradas da região.
Em busca do manejo adequado
A Reserva de Desenvolvimento Sustentável da Ponta do Tubarão, localizada, em parte no município de Guamaré e parte no município de Macau, foi criada em julho de 2003 com o objetivo de preservar os recursos naturais e a sustentabilidade da comunidade local. A área permite a pesquisa científica, a pesca, o turismo e variadas atividades econômicas. Porém, o mais interessante é que surgiu da mobilização da própria população, que sentiu a necessidade em conservar o meio ambiente, aprendendo a lidar com ele, sem prejudicar o desenvolvimento econômico.
A RDS Ponta do Tubarão é formada por um Conselho Gestor, fazendo parte representantes das prefeituras de Macau e Guamaré; representantes do Idema (órgão responsável pela coordenação do conselho), Promotoria da Comarca de Macau, Gerencia Nacional do Patrimônio da União, Ong’s e representantes das comunidades de Diogo Lopes e Barreiras
Através do Conselho Gestor, foram estabelecidos debates que abordavam as necessidades e a forma como a comunidade se organizaria para desenvolver as prioridades da reserva. Eles se dividiram em 25 entidades representativas de cada interesse. Após o regimento ser construído, foi apreciado e aprovado pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente (Conema), sendo homologado pelo Governo do Estado. A área da RDS Ponta do Tubarão tornou-se um sistema sustentável de exploração consciente dos recursos naturais. A principal característica é o manejo da fauna e flora local com base em pesquisas científicas.
A preocupação com o turismo ecológico foi que impulsionou a criação da reserva. Após uma tentativa de implantação de um resort italiano no local, a população, com receio de perder a autonomia e prejudicar a natureza, resolveu se unir e levar o pedido de conservação ambiental até a Assembléia Legislativa, quando então, A União embargou o empreendimento estrangeiro.
A base de todo o projeto da RDS é o envolvimento das comunidades com a Reserva, participando dos debates e projetando ações para o trabalho com meio-ambiente e na vigilância, preservando a natureza e promovendo sustentabilidade econômica e social.
No momento, o plano de manejo é a prioridade. Dezenas de reuniões já foram realizadas em dois anos de criação da Reserva, discutindo os principais problemas, conflitos, necessidades e expectativas da população.
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