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Alexandro Gurgel
| alex-gurgel@oi.com.br
| 11/05/2006


Funeral de Aluízio Alves comove o Estado

“Aluízio Alves, vem do sertão lá do Cabugi...” era a marchinha da memorável campanha para governador, em 1960, que tocava no carro de som, em frente ao Palácio Potengi, onde uma multidão se aglomerava na esperança de ver, pela última vez, o corpo do ex-ministro Aluízio Alves. O velório atraiu gente de todo o Estado. Nas proximidades do Palácio Potengi, ônibus de várias cidades do interior indicavam o prestígio que Aluízio Alves exercia no Rio Grande do Norte.

Sobre o caixão estavam a bandeira do Rio Grande do Norte, o Estado que ele ajudou a desenvolver; a bandeira do PMDB, o partido que foi liderado por ele durante muitos anos; e a bandeira do Brasil, de onde foi ministro de estado por duas vezes. Ao lado do caixão, o filho, herdeiro político e deputado federal, Henrique Eduardo Alves era a imagem da tristeza que se abateu no seio da família. Aluízio Alves Filho, o senador Garibaldi Filho (sobrinho), Ana Catarina (filha) e Madre Alves (irmã) recebiam os pêsames da população emocionada. “Recebemos o carinho e agradecemos ao Rio Grande do Norte, razão da vida dele. Muito obrigado todos”, declarou Henrique Eduardo.

Solidários com a dor do deputado federal, também estiveram os centenas de potiguares que acompanharam a missa de corpo presente num telão, instalado ao lado do Palácio Potengi. Durante a missa, Dom Matias Patrício lembrou que o arcebispo emérito do Rio de Janeiro, dom Eugênio de Araújo Sales, no domingo, celebrou uma missa em memória do ex-ministro Aluízio Alves. “Vamos celebrar a vida. A vida que quando Deus quer chama para si”, ressaltou dom Matias.

No final da tarde, a Guarda de Honra da Polícia Militar acompanhou o caixão até o carro do Corpo de Bombeiros, que esperava na saída lateral da Praça André de Albuquerque. Durante o trajeto pela Rua Rafael Fernandes, no Alecrim (proximidade do Passo da Pátria), aconteceu a primeira manifestação popular, uma demonstração de que o cortejo ficaria na memória do povo.

Nas calçadas, janelas, no meio da rua, correndo atrás do carro do Corpo de Bombeiros, o povo saudava o cortejo fúnebre com galhos de árvores, lenços brancos e bandeiras verdes. Depois de passar pela Praça Gentil Ferreira, onde Aluízio Alves realizou discursos memoráveis, a multidão seguiu pelas ruas das Quintas, relembrando o “Trem da Esperança” em direção ao bairro da Cidade da Esperança, criado pelo ex-governador e onde outra multidão o aguardava.

Em todo o trajeto, podia ser observada a emoção das pessoas com choros e aplausos. O corpo do ex-ministro seguiu pela Prudente de Morais e Avenida da Integração, até a BR-101. A passarela de Neópolis ficou lotada de pessoas que foram se despedir de Aluízio Alves. O cortejo chegou ao cemitério Morada da Paz no final da tarde e foi recebido por centenas de pessoas que aguardavam a chegada do ex-ministro no cemitério desde as primeiras horas da manhã de domingo.

Com a entrada do caixão pelo cemitério, três salvas de tiros de cadetes da Polícia Militar fizeram as honras militares ao ex-governador. Enquanto o féretro seguia para o jazigo, as antigas marchinhas de campanha eram entoadas pela multidão, numa emocionante despedida a um dos maiores líderes do Rio Grande do Norte. O bispo de Campina Grande, Dom Jaime Vieira Rocha, pediu a Deus para recebê-lo entre seus eleitos. O ex-senador Geraldo Melo falou pelos amigos, ressaltando sua amizade com Aluízio Alves. O filho, deputado federal Henrique Alves, discursou em nome da família e se emocionou ao homenagear o pai.

O caixão desceu à sepultura, a eterna morada do “Cigano Feiticeiro”, ao som melodioso de “Ave Maria”, representada pela flauta de Carlos Zen e pelo violino de Larissa Rodrigues e sob os aplausos das pessoas emocionadas.




| Alexandro Gurgel, Jornalista

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