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Alexandro Gurgel
| alex-gurgel@oi.com.br
| 31/05/2006


O Salão dos Excluídos contra o Capitão das Artes

Um dia depois de abrigar o velório do ex-governador Aluízio Alves, o Palácio Potengi foi palco da abertura do “I Salão dos Excluídos”, uma alusão ao tradicional “Salão das Artes Visuais de Natal”, realizado pela Fundação Capitania das Artes. O Salão dos Excluídos foi idealizado pelo artista plástico Franklin Serrão, pelo artista Fábio Di Ojuara e pelo poeta Plínio Sanderson com o intuito de mostrar as obras barradas no último Salão de Artes de Natal, acontecido em dezembro passado. O evento também foi espelhado no Salão de Paris, realizado em 1874, onde os artistas excluídos da mostra oficial deflagraram a arte contemporânea no mundo, incluindo nomes como Monet, Renoir,Von Gogh, entre outros, cujo legado resultou na escola impressionista.

Segundo Franklin Serrão, a procura é maior do que a oferta de espaços nos salões de artes em Natal, que possui somente um salão anualmente, tendo a produção de artes crescida além das expectativas. Conforme Serrão, no salão oficial participam apenas 30 artistas e mais de 250 são excluídos. “Nosso salão deu tão certo que, daqui pra frente, os organizadores do salão oficial vão pensar duas vezes naqueles que foram excluídos, antes de fazer outro empreendimento nas artes visuais de Natal”, disse Serrão.

Tudo indica que a “brincadeira” do Salão dos Excluídos não agradou ao staff municipal das artes que, sumariamente, retirou o evento do cartaz oficial da Capitania das Artes, o qual apresentava toda a programação do dia 8 de Maio, dia do artista plástico, em Natal, irritando e causando perplexidade aos organizadores da mostra no Palácio Potengi da Cultura. A gota d’água para a indignação geral foi a confecção de outro cartaz, dessa vez sem o Salão dos Excluídos. “Os cartazes são materializações da posição autoritária no episódio ‘Barrados no Salão e Excluídos no Cartaz’. Todos nós, lesados pela malversação do erário municipal, devemos exigir que os cofres públicos sejam ressarcidos pelos equivocados mentores de ato tão ignóbil”, declarou o poeta Plínio Sanderson.

O poeta abriu um front de guerra declarada com o presidente da Fundação Capitania das Artes, Dácio Galvão, a quem o poeta chama de Capitão das Artes, por sua postura autoritária e conservadora. “Esse senhor (que está) presidente da Funcart, passou anos na coordenadoria do Centro de Documentação Eloy de Souza, na Fundação José Augusto, numa passagem inócua. Basta comparar toda sua gestão com a administração relâmpago da professora Isaura Rosado Maia (apenas alguns meses). Além disso, utilizou a instituição em usufruto próprio”, beliscou Plínio.

De forma democrática, O Salão dos Excluídos tem obras de outros artistas que participaram também do “salão dos incluídos” da Prefeitura de Natal, além de outros artistas convidados, independente do tipo de arte produzida. “O Salão dos Excluídos é uma porta a mais que temos para divulgar nossos trabalhos e os artistas podem contar, a partir desse ano, com um salão que aceita arte de todos os tipos, de todos os naipes, todas as influências e de todas as escolas”, ressaltou o poeta Plínio Sanderson.

Polêmicas a parte, para o artista plástico Vatenor, diretor da Pinacoteca do Estado, do Palácio Potengi da Cultura, o Salão dos Excluídos é importantíssimo para a contribuição das artes visuais no Estado, principalmente porque esse tipo de evento leva o crescimento natural das artes plásticas pela discussão do que é ou não é arte, diante das possibilidades das vertentes. “Acho o Salão dos Excluídos muito positivo para o enriquecimento das artes no Rio Grande do Norte”, completou Vatenor.





| Alexandro Gurgel, Jornalista

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