As proezas do Capitão Brito em Fernando de Noronha - Parte I: O encontro

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Um conto de aventura em busca dos ricos tesouros dos piratas.
Parte I: O encontro
Na velha Ribeira, dentro de um boteco na beira do Cais do Porto, o Capitão Brito contemplava o Rio Potengi, enquanto sorvia uma caneca de rum. Naquela tarde, quando os últimos ventos de agosto anunciavam o final do inverno, o Velho Lobo aventureiro foi despertado da sua reflexão pelo capitão Robert Grant, um corsário inglês, aposentado das perseguições aos navios que transportavam cargas valiosas nos mares do Caribe.
Muito falante, o ex-corsário fazia um relatório sobre uma pequena ilha encantada, que nasceu há 12 milhões de anos atrás, quando uma cadeia de montanhas marinhas submersas protagonizou uma série espetacular de erupções. A lava subiu mais de 4.000 metros e irrompeu acima do mar, criando o arquipélago de Fernando de Noronha com 21 ilhas e ilhotas e 26 quilômetros quadrados de área. “O topo dessa montanha, que tem por base no fundo do mar, um diâmetro de 60 km, é o Morro do Pico, com 323 metros de altura”, enfatizou o Capitão Grant, merecendo toda a atenção do Capitão Brito, que escutava com interesse aquela prosa.
O sol descia lentamente sobre as dunas da Redinha, enquanto aqueles dois marujos confabulavam, quase sussurrando, sobre riquezas abundantes escondidas na ilha. Navegador dos sete mares, o velho Grant dizia que havia fortes indícios de que o célebre navegador inglês Francis Drake teria abordado a ilha em 1577. Ele, que era conhecido como Capitão Kidd, um saqueador dos mares, um pirata acostumado a pilhar embarcações que singravam os oceanos, sentindo-se caçado por perseguidores nas proximidades da ilha, teria escolhido este lugar longínquo para esconder o seu tesouro, em uma caverna sinistra.
Já era noite quando os dois capitães se despediram com a última talagada de rum. O garçom do boteco observava os amigos, iluminados pelo prateado da lua sobre o Rio Potengi, e viu quando, num último gesto, o Capitão Robert Grant entregou um embrulho ao amigo, saindo do recinto apressado, sem dizer nenhuma palavra. O Capitão Brito deixou a Ribeira pensativo, segurando fortemente o “presente” que acabara de receber. No dia seguinte, depois de curar a carraspana com um farto café-da-manhã, Brito abriu o pacote e encontrou um mapa com um roteiro de viagem, além de várias dicas para encontrar o tesouro do Capitão Kidd, em Fernando de Noronha.
A curiosidade despertou o interesse do Velho Capitão por aquela remota ilha misteriosa no Atlântico Sul. O capitão descobriu que a ocupação de Fernando de Noronha é quase tão antiga quanto à do continente. Em decorrência da sua posição geográfica, o arquipélago foi uma das primeiras terras localizadas no Novo Mundo, registrada em carta náutica no ano de 1500 pelo cartógrafo espanhol Juan de La Cosa e em 1502, com o nome “Quaresma” pelo português Alberto Cantino.
A descoberta do arquipélago, em 1503, é atribuída ao navegador Américo Vespúcio, participante da segunda expedição exploratória às costas brasileiras, comandada por Gonçalo Coelho e financiada pelo fidalgo português Fernão de Loronha, cristão novo, arrendatário de extração de Pau-Brasil. Em decorrência da descoberta, em 1504, foi doada à Fernão de Loronha (com o tempo, o nome da ilha foi aportuguesado para Fernando de Noronha), que havia financiado a expedição. Foi a primeira Capitania Hereditária do Brasil, porém jamais ocupada pelo seu donatário.
Como no romance “A Ilha do Tesouro”, um dos clássicos da literatura infanto-juvenil, escrito por Robert Louis Stevenson, em 1883, o Capitão Brito decifrou as primeiras coordenadas que apontavam para a localização do tesouro do Capitão Kidd. O mapa indicava uma gruta, cuja entrada se oculta na projeção da sombra do Morro do Pico, ao meio-dia. Na parede esquerda da gruta, um enorme K, de Kidd, substitui o tradicional X dos mapas. Um sinal de perigo no mapa enunciava que a gruta era guardada por um enorme leão, que urrava quando alguém se aproximava do local.
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