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Alexandro Gurgel
| alex-gurgel@oi.com.br
| 20/02/2007


Parte II: A viagem em busca do Tesouro do Capitão Kidd


Em menos de uma semana, depois daquele fatídico encontro na Ribeira, o Capitão Brito formou sua tripulação para pôr-se a caminho de mais uma aventura rumo ao desconhecido, em busca de riquezas escondidas. Pela experiência em achar tesouros, tia Terezinha foi convocada para coordenar a expedição, tendo como auxiliares Cléo e Suellen, duas jovens dispostas a explorar a ilha. Dona Eunice, braço direito do Capitão, cuidava dos detalhes da viagem, auxiliando diretamente o comando daquele grupo. Eu fui convidado pelo Capitão Brito como “escrevinhador imediato” para relatar, em missivas náuticas, os acontecimentos sucedidos durante a viagem.

Ao invés de navegar em antigos galeões, o capitão preferiu singrar os mares dentro de uma moderna nau capitânea, dotada de aparelhos de navegação de última geração. Partindo de Natal, o ponto mais próximo entre o continente e a ilha, aproximadamente 360 kilômetros, a trupe do Capitão Brito chegou à Fernando de Noronha numa tarde azul de sol intenso. Uma vez instalados no lugar chamado “Tartaruga Marinha”, o Capitão levou seus sequazes para explorar o local, descobrindo que a ilha ficou abandonada por quase dois séculos, sendo alvo fácil para piratas e invasores.

Um ilhéu muito falante assegurou que Fernando de Noronha foi ocupada por holandeses, que a chamavam de Pavônia, e por franceses que lhe deram o nome de “Isle DauphineIlha” ou Ilha dos Golfinhos. Em 1737, pernambucanos e portugueses recuperaram o arquipélago para o Brasil. Para evitar novas invasões, construíram dez fortes, formando o maior conjunto defensivo do período colonial. Hoje, restam ruínas de apenas dois deles, a Fortaleza dos Remédios e o Forte de São Pedro do Boldró. Durante a Segunda Guerra, a ilha serviu de base para os aviões americanos. Mais tarde, os militares instalaram na ilha uma colônia penal, abrigando presos de todos os tipos.

Por medida disciplinar, a fim de evitarem-se fugas e esconderijos de presos, desde essa época a vegetação original foi sendo derrubada, alterando o clima do arquipélago. Por essa razão, somente em alguns locais da ilha pode ser vista um pouco da cobertura vegetal original, como na Ponta da Sapata, na encosta do Morro do Pico e nos mirantes do Sancho, Baía dos Golfinhos e Praia do Leão.

Na mesma tarde azulada, o grupo percorreu o centro histórico de Vila dos Remédios, percebendo seu traçado urbanístico planejado, composto por dois pátios. No espaço superior, fica o Palácio São Miguel, sede da administração da ilha. Construído em 1948, o casarão colonial está situado no centro da praça d´armas. Na parte baixa, está localizada a igreja barroca Nossa Senhora dos Remédios, que teve sua construção iniciada em 1737 e concluída toda a obra de estrutura em 1772, data que ostenta em sua fachada.

Naquela tarde, os exploradores ainda subiram a ladeira feita de pedras pretas do mar para conhecer as ruínas da Fortaleza Nossa Senhora dos Remédios, a maior fortificação de todo o sistema defensivo do século XVIII, implantado pelos portugueses. A imponente fortaleza, montada sobre um primitivo reduto holandês, erguido em 1629, está localizada sobre uma colina com um belo visual para o Porto de Santo Antônio e a Praia do Cachorro.

No final do dia, Capitão Brito resolveu recarregar as energias do grupo e aportou na Praia da Conceição, situada no sopé do Morro do Pico, para apreciar um belo pôr-do-sol. Muito bem sentados, o capitão e eu saboreamos algumas latas de cervejas, enquanto Cléo, Suellen, Tia Terezinha e dona Eunice matavam a sede com água e refrigerantes. Cléo se despediu da moça vietnamita, que acabara de conhecer havia pouco tempo, durante a visita as ruínas do Forte Nossa Senhora dos Remédios.

Antes que anoitecesse, subimos mais de 5 quilômetros ladeira acima em busca da pousada. No alto dos seus 70 anos, tia Terezinha escalava aquela inclinação acentuada leve como uma pluma ao vento, sem demonstrar nenhum sinal de cansaço. Confesso que sofri com aquele aclive. Mas, com a força que Cléo vinha me dando e vendo o esforço do Capitão em transgredir aquelas ruas íngremes, reuni forças nas pernas e chegamos ilesos ao nosso destino.



Continua...



| Alexandro Gurgel, Jornalista

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