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Alexandro Gurgel
| alex-gurgel@oi.com.br
| 23/04/2009


Alexandro Gurgel entrevista Eduardo Alexandre

Eduardo Alexandre de Amorim Garcia, conhecido no Beco da Lama e Adjacências como Dunga, é jornalista, poeta, artista plástico e produtor cultural. Com mais de 500 exposições de rua realizadas, Dunga foi o criador da Galeria do Povo, movimento semanal de arte desenvolvido durante mais de 10 anos na Praia dos Artistas. É ex-presidente da Associação dos Artistas Plásticos Profissionais do RN e um dos iniciadores do movimento Dia da Poesia, em Natal durante os idos de 1978. Em 2006, Dunga foi agraciado com o troféu Poti, prêmio elaborado pelo Diário de Natal e entregue às pessoas pelos relevantes serviços em favor da cultura natalense. Ex-diretor executivo da Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências (Samba), Dunga é novamente candidato ao cargo nessas eleições da Samba que acontecem no dia 1º de maio.

O Grande Ponto fez 12 perguntas para os candidatos a diretor executivo da Samba. Aqui, as respostas de Dunga e da sua chapa “Acorda Samba”.

1. O que significa o Beco da Lama?
No nosso manifesto da Acorda Samba, o poeta Plínio Sanderson, que foi o redator e está conosco como diretor de eventos, define muito bem o Beco da Lama: o Beco é luta ante o monopólio de tudo que seja impertinente, pois essa luta está direcionada à liberdade para todas as matizes e nuances artísticas. O beco é chão sagrado de profundezas infinitas, fundamentado em santíssimos saberes cotidianos. “A viela mítica”, como ele chama o Beco e suas “adjacências fulgurantes”, “é o espaço encantado onde vive a alma errante, boêmia, lírica e curiosa da gente natalense”. O Beco “é palanque de todos os partidos, parlatório de todos os assuntos, zona franca e território livre”, como ele teve a felicidade de definir.

2. Por que você quer ser diretor executivo da Samba?
Não é que eu queira ser diretor executivo da Samba. Eu já dei dez anos de dedicação à Samba. Participei da elaboração de seus estatutos em suas primeiras reuniões e fui diretor cultural na primeira gestão e diretor executivo na segunda. Fiz um trabalho que elevou a Samba a uma condição privilegiada de visibilidade, especialmente na cena cultural da cidade. O Beco da Lama tornou-se, então, uma referência cultural de Natal. Uma entidade papeada, querida, epicentro de um movimento multicultural rico, mas pouco explorado em sua verdadeira potencialidade. Quando esse movimento estava prestes ao amadurecimento, achei que devia descansar um pouco e passar o comando para uma nova gestão. Mas essa gestão não deu certo e as pessoas começaram a temer a possibilidade de uma outra gestão sem êxito e começaram a cobrar no sentido de que eu retomasse o trabalho que sofreu descontinuidade. Compreendi que essas pessoas estavam certas e que, de fato, a Samba estava ameaçada. Resolvi, então, ac eitar o desafio que me estava sendo posto pela gente do Beco, comerciantes, boêmios, moradores das adjacências, artistas e freqüentadores amantes desse reduto amado e mágico.

3. Quais as principais propostas de campanha?
O objetivo principal é retomar o caminho iniciado. Retomar as festas, trazer de volta as pessoas que deixaram de freqüentar o espaço, trazer de volta aquele sorriso que era a característica principal do Beco; aquela felicidade coletiva quando os acontecimentos se faziam sucesso em decorrência da ciência de que aquele sucesso era fruto de um trabalho coletivo planejado com carinho, com o exato objetivo de fazermos jus a essa felicidade e elevar a auto-estima de todos nós, como também do próprio centro praticamente abandonado da cidade. Queremos reeditar de maneira melhor o que já foi feito na nossa primeira gestão e trazer novidades que façam com que o centro histórico tenha a atenção que ele merece.

4. Quais as novidades que você pretende implantar no Beco da Lama?
Na nossa primeira gestão, participamos de um trabalho em parceria com a Agência Cultural do Sebrae, Sectur, Capitania das Artes, Semurb, entre outras instituições preocupadas com a história da cidade, quando houve reuniões, seminários trazendo conhecedores de trabalhos de revitalizações de centros históricos de outras cidades, e esse trabalho, no nosso ponto de vista, deve continuar. Vamos procurar todas essas instituições para que o trabalho que foi desenvolvido no sentido de termos e fecharmos o chamado Corredor Cultural seja uma realidade. Um bom trabalho nesse sentido já foi feito e continua a ser feito na Ribeira e fatalmente chegará ao centro de Natal. Temos problemas de toda ordem e é necessário que se escutem manifestações de técnicos capazes em cada assunto a ser discutido, trânsito, segurança, preservação do patrimônio, melhoramentos urbanísticos, tudo convergindo para que tenhamos o centro histórico como polo cultural que atraia natalenses e visitantes a ele, benef iciando comércio, produtores de cultura e a própria cidade como um todo.

5. Quais os projetos que serão aproveitados das antigas gestões da Samba?
Todos os projetos. E inclusive vamos retomar os que foram abandonados ou esquecidos. No final da nossa gestão, depois de termos visto a necessidade de se iniciar um trabalho social que ajudasse pessoas que precisam de ajuda, criamos a diretoria de políticas sociais e a diretoria para assuntos de juventude. Essas diretorias não funcionaram na gestão que se finda. Vamos fazer com que elas funcionem. Vamos procurar as secretarias estadual e municipal que exercem esse papel público e vamos procurar aplicar políticas sociais que insiram os não inseridos na vida da cidade. A Samba é uma entidade boêmia, mas precisa ver o alcoolismo e o vício da droga como fatores danosos à convivência social, especialmente para quem o vive e para suas famílias. Esse trabalho precisa ser realizado, como também o de orientação dos jovens em descaminho, e procurar dar soluções para o problema do desemprego e da mendicância – de índice muito alto nessa parte da cidade.

6. Quais são os novos eventos?
Eu não diria “eventos”. Os novos eventos eu sei que virão, como a “Noite do Linho Branco”, por exemplo, e outros que já começam a ser pensados. Nossa preocupação é transformar a Samba numa empresa cultural que venha a trazer benefícios de fato para os produtores de cultura do centro, abrindo mercados, e possibilitando o escoamento e renovação da nossa produção artística. Vamos encaminhar projetos às Leis de Renúncia Fiscal. Vamos procurar trazer para a Samba um Ponto de Cultura. Vamos participar da política de editais. Vamos procurar fazer valer nossa força coletiva produtiva junto aos governos municipal, estadual e federal para beneficiar não só quem produz arte, mas para beneficiar a própria cidade.

7. Como sua gestão trabalhará com as Leis de incentivo à cultura?
Vamos apresentar projetos que abranjam múltiplas vertentes culturais e artísticas. Mas esse é um assunto que pretendemos discutir mais tarde, com os interessados. Nossa administração mereceu a repercussão que mereceu porque soubemos ouvir as vozes do Beco. Vamos continuar a ouvir a gente becodalamense.

8. Como você pretende conquistar novos parceiros para pensar em prol do Beco da Lama?
A Samba já tem um trabalho de parceria com muitas instituições. Mas outras precisam ser procuradas, como o Clube de Diretores Lojistas, a Assembléia Legislativa, que é nossa vizinha, a Câmara Municipal, e, até, mais diretamente, a Prefeitura e o Governo do Estado. No início, o movimento social, através dos sindicatos, muito nos ajudou. Essa parceria precisa ser resgatada. Mas uma parceria que nunca exercemos e precisamos ter é com pequenos comerciantes e moradores da Cidade Alta. Estamos pensando na formação de núcleos de trabalho, como para a música, para as artes plásticas, para o teatro, etc. e também para moradores e comerciantes.

9. O Centro Histórico está passando por um processo (embrionário) de revitalização. Quais as preocupações e sugestões da sua candidatura sobre esse assunto?
Em parte, acima, já respondemos sobre isso. Os últimos dois bens tombados no centro histórico foram por iniciativa nossa na nossa gestão anterior: duas casas que estavam para ser demolidas na Rua da Conceição, a adjacência mais mutilada de nossa história. Nosso patrimônio histórico arquitetônico não é tão grande, afinal, Natal, apesar dos seus mais de 400 anos, como cidade de verdade, tem um pouco mais de um século. A maioria dos bens dignos de tombamento já estão tombados. Outros precisam ser tombados e com urgência. Dizer, aqui, quais, correríamos o risco de ter uma corrida às demolidoras. Mas já temos mapeados os bens que precisam ser preservados para que os nossos netos e bisnetos tenham condição de avaliar o nosso caminhar histórico como cidade. Nossa preocupação primeira será buscar a Semurb para sabermos como está o planejamento do centro da cidade. Esse planejamento existe de administrações anteriores, mas o que se pretende fazer é razão grande de nossas preocupações. Como dissemos acima, precisamos saber o que se pretende e procurar envolver técnicos e interessados diretamente no assunto.

10. De que maneira você vai atrair novos frequentadores para o Beco da Lama?
Cultivando a boa política da amizade, do carinho, do sorriso. Essa foi a política que utilizamos na gestão que levou centenas de novos freqüentadores ao Beco querido, e que vamos manter.

11. Você pretende fazer um cadastramento para seguir o Estatuto da Samba?
Pretendemos abrir o livro de filiações a novos filiados. Quando tenho notícias de que há três anos novos sócios não foram feitos, isso me deixa bastante triste. É como se durante três anos a nossa Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências tivesse caminhado a lugar nenhum.

12. Quem faz parte de sua chapa e de que maneira essas pessoas podem colaborar com sua gestão?
A chapa ACORDA SAMBA, em essência, é gente comprometida com a Samba, com o Beco e com o nosso centro histórico. São poetas, artistas plásticos, engenheiros, biblioteconomistas, economistas, produtores culturais, antropólogos, jornalistas, assistentes sociais, comerciantes, gente do Beco e das adjacências, todos imbuídos do espírito de coletividade e cientes da necessidade da realização de um trabalho sério, que traga repercussão positiva para a cidade do Natal.





| Alexandro Gurgel, Jornalista

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